-Temos dois ouvidos e uma boca para ouvir mais e falar menos.-
Ouvia isso quando criança. Mas normalmente não era uma repreensão direcionada a minha pessoa. Creio que sempre gostei de falar tanto quanto gosto de escutar; o que é uma glória, para mim, como mulher, ter analogicamente um ouvido e uma boca.
Vejo mulheres (principalmente, mas não apenas) com inúmeras bocas e apenas um mísero ouvido, o qual possui sérios problemas de obstrução no seu canal. Cheguei até a uma conclusão interessante: As mulheres novas falam de si e as idosas falam dos outros. E o pior é que elas falam muito mais e ouvem muito, mas muito menos; já que elas contam com os problemas auditivos e a perca de sanidade mental que a idade lhes confere. Uma vez que a suas vozes penetram em teus ouvidos, basta para te fazer um vegetal com audição -ao menos aparente- e te alugar até que você encontre uma maneira de se livrar da boca errante.
Reclamam, reclamam de tudo e de todos. De sua boca saem frases que por muitas vezes se repetem em frações de minutos. Frases mal estruturadas e de sentido absurdo –sem-pé-nem-cabeça mesmo-. Difamam mesmo quando acabou de dar um abraço, muitos sorrisos e beijinhos na vítima, basta-lhe dar as costas; falam de você para os seus ouvidos, mas você finge que não entendeu nada, e às vezes nem entende mesmo, graças ao bom Deus.
A minha falta de sorte faz com que muitas senhoras de caráter similar ao que ditei acima cruzem o meu caminho e até façam parte da minha vida. Aí penso no que isso infere. Temo por demais me ver nesse estado um dia.
Quando o meu tempo chegar, espero lembrar-me das seguintes lições:
I) Não vire uma velha fofoqueira. II) Pare de falar como uma louca e escute as pessoas. III) Faça o possível para manter o discernimento. IV) Pare de reclamar da vida, não há quem goste de escutar esse lero-lero.
O problema é que as pessoas são demasiadamente egoístas. Só pensam em si, só querem o melhor para si, só falam de si. Nem percebem que estão incomodando o próximo, e se percebem, não se importam -querem mesmo é alugar as pessoas.-
Faltam-lhes senso, altruísmo, discernimento, mas principalmente, faltam-lhes ouvidos.
Aqui há um protesto.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
sexta-feira, 23 de maio de 2008
GERÚNDIOS DE UMA VIDA A MIL
Peço desculpas pela ausência, mas o fato é que eu realmente ando sem tempo para escrever. Universitários que me ajudem, fim-de-semestre deixa-nos tangentes à loucura, não é? Meu Santo Deus! Só Ele sabe o quanto estou correndo. Só não estou correndo quando estou dentro do ônibus. Aí permanece o gerúndio e substitui-se o prefixo. No ônibus estou morre-ndo. Esmagada e cansada. Também não estou corre-ndo quando estou sentada na carteira da sala. Aí o prefixo é enlouquece-ndo. Com tudo que esses professores falam, meu cérebro vai se desvanesce-ndo. Antes aos poucos. Agora, rapidamente.
Ando comenta-ndo com meus amigos que estou fica-ndo demente. Isso mesmo. Estou me torna-ndo parva.
Um dia já fui inteligente, hábil, sagaz, astuta. Acredite. Mas hoje, não. Hoje não consigo tirar uma nota acima de 5,0 na faculdade(1.5, 1.8, 2.2, 3.6 e 4.9-essas são as minhas notas-Ah, tirei um 8.2 em uma cadeira que não exige sequer raciocínio-essa não conta-). Hoje eu não consigo mais escrever algo em que eu leia e me orgulhe, como os outros; os antigos. Hoje a minha mente está inerte a calculos mentais. Não consigo mais.
Olha que eu não fumo nenhum baseado, nem cheiro cola ou qualquer atitude do tipo que possa provocar apoptose, necrose ou qualquer tipo de morte das minhas células nervosas. Não sei o que está acontece-ndo. Sei que estou dissipa-ndo, dizima-ndo mentalmente. Desvaira-ndo.
Deve ser essas cadeiras de química, esses professores ótimos -de jogar no Anak Krakatau em plena atividade-, essa vida de estagiária, junto com a minha vida de rainha do lar (a-ndo cuida-ndo dos afazeres domésticos) e mulher. Não está se-ndo fácil.
Ando comenta-ndo com meus amigos que estou fica-ndo demente. Isso mesmo. Estou me torna-ndo parva.
Um dia já fui inteligente, hábil, sagaz, astuta. Acredite. Mas hoje, não. Hoje não consigo tirar uma nota acima de 5,0 na faculdade(1.5, 1.8, 2.2, 3.6 e 4.9-essas são as minhas notas-Ah, tirei um 8.2 em uma cadeira que não exige sequer raciocínio-essa não conta-). Hoje eu não consigo mais escrever algo em que eu leia e me orgulhe, como os outros; os antigos. Hoje a minha mente está inerte a calculos mentais. Não consigo mais.
Olha que eu não fumo nenhum baseado, nem cheiro cola ou qualquer atitude do tipo que possa provocar apoptose, necrose ou qualquer tipo de morte das minhas células nervosas. Não sei o que está acontece-ndo. Sei que estou dissipa-ndo, dizima-ndo mentalmente. Desvaira-ndo.
Deve ser essas cadeiras de química, esses professores ótimos -de jogar no Anak Krakatau em plena atividade-, essa vida de estagiária, junto com a minha vida de rainha do lar (a-ndo cuida-ndo dos afazeres domésticos) e mulher. Não está se-ndo fácil.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO...

Ontem eu assisti um filme que não sai da minha cabeça. Chaplin, com Robert Downey Jr.
Bem, não posso garantir que o filme é bom, mas posso assegurar que foram 148 minutos da minha vida muito bem gastos. Posso dizer que a história é maravilhosa e que Charles Chaplin teve uma vida e tanto. Com muito dinheiro, muito sexo, muita emoção e muito tempo.
Por causa desse filme, não paro de pensar no tempo. Aí me vem a cabeça -Oração ao Tempo, de Caetano Veloso-. Eu não gosto dessa música, só me recordo porque o refrão repete a palavra 4 vezes e se aloja na cabeça - És um senhor tão bonito/ Quanto a cara do meu filho/Tempo tempo tempo tempo/Vou te fazer um pedido/Tempo tempo tempo tempo... - .
Bem, o tempo. Conceitualmente falando é uma palavra muito poderosa. Trata-se de muitas coisas. Dá idéia de vida, de morte, de estado atmosférico, de oportunidades -ainda há tempo...-, de passado, de futuro, de eternidade. Enfim, se eu fosse escrever tudo que se pode abranger com essa palavra, certamente você iria aderir ao clã 'Não Leio Porque é Grande'.
O filme citou uma afirmação intrigante - Charles declarou que seu maior inimigo era o tempo -. Não sei o por quê. Chaplin soube aproveitar seu tempo, eu diria que o aproveitou invejavelmente. Tornou-se eterno pelo que pensou, pelo que disse, pelo que fez. E sua vida foi brilhante. Todo o mundo o conheceu. Todo mundo o conhece e por mil gerações o conhecerá. E certamente o admirará. E vai querer aproveitar o seu tempo como ele, assim como eu quero (e você, será?). Quero aproveitar meu tempo de maneira minuciosa, pois a vida é efêmera - já dizia Cecília Meireles e suas metapoesias -.
Talvez você esteja perdendo o seu tempo por aqui -se você gosta não está perdendo, está aproveitando, certo?- Mas as vezes eu perco o meu por aqui também. As vezes eu perco tempo procurando algo no escuro porque eu não queria perder meu tempo acendendo a lâmpada. As vezes eu perco meu tempo desenhando corações porque acho mais interessante que estudar. As vezes eu perco meu tempo vendo imagens bizarras, vídeos sem-graça, lendo livros chatos... Se eu pudesse voltar atrás, certamente não faria. Mas é assim, o tempo é uma seta. É uma ponte que está desvanecendo, e a cada passo dado, vai-se ao abismo a porção pisada (sim, como nos filmes). Não tem volta. Só tem ida.
Então, não perca seu tempo, não perca sua vida. Fuja do futuro desprazer de olhar pra trás e perceber que sua vida não valeu a pena. Que você não vai ser lembrado por suas virtudes, nem por seus devaneios, nem por suas histórias vividas, nem por seus conselhos, nem por suas ações. Fuja.
Bem, queria um desfecho melhor pra essa crônica. Eu encontrei um ideal. Há uma sitação de Chaplin em um de seus filmes falados, Luzes da Ribalta:
"O tempo é o melhor autor. Sempre encontra um final perfeito".
sexta-feira, 2 de maio de 2008
PRECONCEITO
Quem não tem? Você? Mentira. Todos têm um conceito prévio de alguém ou de algo; e nem precisa ser aquele do tipo ético (opção sexual, cor, posição social e por aí vai). Pode ser preconceito por pessoas com desvios de caráter, por exemplo: chatos, esnobes, grosseiros, frescos... Dizem por aí que quem vê cara não vê coração. É... mais ou menos... Na minha concepção, há três vertentes:
1ª)As vezes a pessoa é chata/metida/grosseira/fresca de primeira, segunda, terceira...milésima... Nesse caso o "pré conceito" se torna uma definição exata do caráter da pessoa em questão.
2ª)Quem sabe foi apenas um devaneio da sua parte ou da parte da pessoa e você descobre que seu "pré-conceito" não é validado posteriormente.
3ª) Ou ainda pior. Podemos estar nos valendo do pré-preconceito. Sabe aquelas pessoas que o santo não bate? que de cara já sentimos abuso? Aí, só queremos alegar um motivo concreto para não gostar dela e inventamos qualquer um desses escárnios.
Eu não gosto quando as pessoas assasinam a gramática, dói nos meus tímpanos. A vontade que eu tenho é corrigir imediatamente, e muitas vezes eu faço isso (chato da minha parte). Mas também não posso dizer que não gosto das pessoas que cometem gramaticídeo. Todos cometem, inclusive eu (quem sabe você encontra uns por aqui). Então digamos que não tenho esse tipo de preconceito. Eu apenas supervalorizo pessoas com boa facúndia.
Agora, cá pra nós, meu santo não bate com o santo dos fedorentos. Não há nervos sensoriais mais sensíveis que os meus captadores de partículas odoríferas. E eles sofrem. E como. Aliás, quem sofre sou eu, a receptora. Eu odeio fedorentos. Eu tenho nojo deles. Além de fedorentos, eles são feios, sujos e cometem gramaticídeo. E o pior é que parece que eu os atraio. Em quem eles chegam perto/ encostam/esfregam? Sempre que tem uma cadeira vaga ao meu lado quem senta nela? Adivinhe só.
Ainda não me acostumei com a feiura e o fedor dos contíguos. Indo/voltando da faculdade no ônibus, deparo-me com essas criaturas desagradáveis. Deparo-me com o cheiro delas. Aarghhh.... Mais desagradável ainda é a faceta que eu crio. Sim, olho de cara feia. Dá vontade de falar "Sai de perto de mim, ogro!" ou "Compra um desodorante, ô imundo!" ; e ainda pior, "Morre!". E falo. Falo com os olhos. Eles têm uma eloqüência admirável (ainda existe trema? Vou deixar, fica mais bonitinho. Me lembra pingüim, pingüim é tão bonitinho).
Os fedorentos dos ônibus devem pensar que sou uma chata, esnobe, grosseira, fresca ou coisa do tipo. Nem sou, sei que não. Só não gosto deles. Eles estão sendo preconceituosos comigo.
1ª)As vezes a pessoa é chata/metida/grosseira/fresca de primeira, segunda, terceira...milésima... Nesse caso o "pré conceito" se torna uma definição exata do caráter da pessoa em questão.
2ª)Quem sabe foi apenas um devaneio da sua parte ou da parte da pessoa e você descobre que seu "pré-conceito" não é validado posteriormente.
3ª) Ou ainda pior. Podemos estar nos valendo do pré-preconceito. Sabe aquelas pessoas que o santo não bate? que de cara já sentimos abuso? Aí, só queremos alegar um motivo concreto para não gostar dela e inventamos qualquer um desses escárnios.
Eu não gosto quando as pessoas assasinam a gramática, dói nos meus tímpanos. A vontade que eu tenho é corrigir imediatamente, e muitas vezes eu faço isso (chato da minha parte). Mas também não posso dizer que não gosto das pessoas que cometem gramaticídeo. Todos cometem, inclusive eu (quem sabe você encontra uns por aqui). Então digamos que não tenho esse tipo de preconceito. Eu apenas supervalorizo pessoas com boa facúndia.
Agora, cá pra nós, meu santo não bate com o santo dos fedorentos. Não há nervos sensoriais mais sensíveis que os meus captadores de partículas odoríferas. E eles sofrem. E como. Aliás, quem sofre sou eu, a receptora. Eu odeio fedorentos. Eu tenho nojo deles. Além de fedorentos, eles são feios, sujos e cometem gramaticídeo. E o pior é que parece que eu os atraio. Em quem eles chegam perto/ encostam/esfregam? Sempre que tem uma cadeira vaga ao meu lado quem senta nela? Adivinhe só.
Ainda não me acostumei com a feiura e o fedor dos contíguos. Indo/voltando da faculdade no ônibus, deparo-me com essas criaturas desagradáveis. Deparo-me com o cheiro delas. Aarghhh.... Mais desagradável ainda é a faceta que eu crio. Sim, olho de cara feia. Dá vontade de falar "Sai de perto de mim, ogro!" ou "Compra um desodorante, ô imundo!" ; e ainda pior, "Morre!". E falo. Falo com os olhos. Eles têm uma eloqüência admirável (ainda existe trema? Vou deixar, fica mais bonitinho. Me lembra pingüim, pingüim é tão bonitinho).
Os fedorentos dos ônibus devem pensar que sou uma chata, esnobe, grosseira, fresca ou coisa do tipo. Nem sou, sei que não. Só não gosto deles. Eles estão sendo preconceituosos comigo.
sábado, 26 de abril de 2008
DOR, QUER? TEM PRA MAIS DE MIL

Hoje eu andei vendo umas fotos, umas daquelas imagens interessantes na internet. Não sei porque cliquei no item catalogado "dor". Acho que foi meu subconciente que clicou. Mandou a informação ao cerebelo e minha mão direita cuidou da motorização do processo.
Enfim, comovo-me com a dor alheia. Só de pensar me dá um arrepio. Ver aquelas fotos da magreza africana, então... Bate-me uma tristeza profunda. Uma vontade de fazer algo pelo mundo e ao mesmo tempo uma sensação de invalidez. Mas dá vontade de olhar. Acredito que passei mais de 40 minutos olhando. Olhei todas e queria ver mais. Acabou. Que tal fazer um googlesearch? Não, é demais.
O meu encéfalo convive com dor, até parece que é fascinado por ela, está constantemente mandando informações que me geram sensações desagradáveis, desconfortos excruciantes. Cefaléias, dores no útero, dores no intestino, dores na face devido à rinite alérgica aguda, dor nas articulações inferiores (joelhos) devido à musculação, dores nas costas devido à falta de adaptação com a forma do colchão -curvidade, devido ao uso excessivo-, além de outras dores ocasionadas pela prisão de ventre, acho que não preciso dizer onde as sinto. Ah, e o meu bom e já velho refluxo gastroesofágico, que não dói, mas encomoda bastante.
Meu marido já nem se comove com as minhas dores e com o meu trivial "estou passando mal". Eu até entendo, deve ser chato ter que cuidar de uma doentinha 24h. E o pior é que ele cuida. O pior não, o melhor. Graças a DEUS. Tem alguém pra cuidar de mim, pra satisfazer meus dengos. Deu pra ver que sou dengosa; adoro um afago, um manho. Falando em dengo, acho que peguei dengue. De ontem pra hoje senti fortes dores de cabeça, diarréia, náuseas e dores no corpo. Não fui ao médico, odeio hospital; vou continuar enrolando o meu marido (amanhã eu marco...). Então serei uma dengosa com dengue, será? Se for, será lindo, será poético. Virá a calhar.
terça-feira, 22 de abril de 2008
RATOS NA MODA

Os ratos estão na moda. A música, o cinema. Inclusive hoje vi uma blusinha linda com um rato sem olhos estampado. Deu até vontade de comprar. Ratatuille, a grande obra cinematográfica do ano. Magnífica. Aí vem o Chico Buarque e no seu último álbum lança uma Ode aos Ratos, ainda tem o Caetano Veloso que está fazendo sucesso em alguma novela por aí (só pode, pois música boa só cai na boca do povo se for tema de novela) com a sua obra Rocks, também em seu álbum novo, CÊ (estupendo, merece asterisco). A música é mais ou menos assim: "você foi mó rata comigo, concreta e simplesmente rata comigo demaaaais"... Enfim, ÓTIMA, como a maioria das músicas no novo álbum. Bem, aí vou eu. Entrei na moda também. Mas nem sou rata e nem comprei a blusinha do rato sem olhos. Voltei a roer as unhas. Sou uma roedora, mas não sou rata. Eu era, só quando criança. Minha irmã me chamava de Ratatá ou Raticate (Pokemón, lembra?) Ela dizia que eu tinha dentões; ficava me imitando pondo os dentes contra o lábio inferior, fechando a sobrançelha, arregalando os olhos e puxando as abas do nariz com os dedos indicadores. Ela devia dizer que eu era a pokebola. Nem sei porque ela não dizia. Acho que ela não teve a idéia. Preferia me chamar de Baleia Assassina porque era mais usual, certamente.
Apesar disso, ela era muito criativa; desdenhava-me até com a propaganda musical do Neston. Depois ela adaptou a propaganda, e ao invés do sufixo original,-on; tornou-se -ote, para rimar com pote (aquele vaso desprovido de cintura) e cara de capote (galinha de angola -feia-, põe ovos pequenos e rígidos).
Ainda bem que não sou mais criança e nem sou mais uma pokebola. É assim; a gente cresce, a gente muda. E vai substituindo uns traumas por outros.
Ainda bem que não sou mais criança e nem sou mais uma pokebola. É assim; a gente cresce, a gente muda. E vai substituindo uns traumas por outros.
domingo, 20 de abril de 2008
LÚGUBRE E DESILUDIDA
Bem, há muito eu não olhava a minha caixa de emails. Quem tem duas contas normalmente esquece a outra. Me veio na cabeça olhar. Vi que algum santo tinha deixado um comentário num blog que eu havia esquecido.Olha só, lembrei. Aí lembrei de quantos sonhos eu tinha. Lembrei que eram muitos sonhos. Lembrei que era uma garota ressentida e iludida. Lembrei que queria fazer jornalismo. Que queria montar uma biblioteca. Que queria casar depois dos 30. Que queria viver e morrer escrevendo, avessando as idéias, dentro -> fora.Tudo, quase dois anos depois. Tudo é diferente. Por engano acabei me inscrevendo para o curso de farmácia, e por lá fiquei. Por lá estou até hoje. Desgosto. Desgostoso. Por amor e outros motivos, acabei por me casar. E casada estou. Triste estou. Feliz estou. Sei lá.Tudo é tão relativo. Há quem estude a relatividade das coisas. Acho que Einstein; "Teoria da Relatividade" e os sistemas de inércia. Eu não quero saber de estudar isso, não. Já basta o Ciclo do Ácido Cítrico e o Comportamento dos Gases Ideias em que eu me obrigo a estudar. Eu queria ter prazer na obrigação. Seria feliz. Será que é demais? Eu era uma garota de dezesseis anos. Agora sou uma mulher de dezoito. Bem que eu poderia ser uma garota de dezoito, mas não dá mais. A minha realidade é outra. Faculdade (chata), casamento, sogra, preocupações. Muitas preocupações. Cabeça cheia. Estresse flor-da-pele. Enfezamento litero-usual (já disse que sofro de prisão de ventre crônica? Prisão de ventre aliada a outros problemas, estresse total. Acredite na estudante de saúde e na testemunha viva).Ando triste, ando chorosa. Dá saudade do meu mundinho de antigamente. Uma garota iludida com a vida. A vida é agora. A-GO-RA. Agora não é bom. Depois pode ser. Depois não é agora. Triste.
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